Amor. Foi assim que ele me descreveu e talvez ele esteja certo, só o amor é puro o suficiente para curar tantas feridas com imensa rapidez.
Eu me pergunto todas as noites por que não soltar o punho de quem já largou a minha mão, e então meu coração arde e os olhos passam a queimar por longos segundos, eu não posso.
Elas dizem que eu gosto do errado, não assumem, mas sussurram pelos cantos que sou uma espécie de masoquista. Cogitaram a possibilidade de costume, mas nunca perceberam que eu detesto repetição.
Ele disse que eu era amor, mas não conheceu a dor que sou. Sempre disse, entre risos, que esse rosto claro de bochechas rosadas pode causar algo além de tristeza, algo semelhante a uma doença.
O outro dizia sem parar "É doença, só pode ser!", e eu chorava para não concordar. Era isso que causei a tantos, a doença da permanência, e quando tornava-me amor fugia sem malas para o mais longe possível.
Ele insistiu que eu era amor, mas o amor a gente deixa de lado e era isso que ele fazia, era isso que eu me acostumei a fazer.
Elas diziam que eu gostava mesmo é da dor, mal sabem que ela eu já sou. Não sabem que berro toda manhã até a garganta sangrar, até parar a vontade de me fazer sangrar. Eu choro sem lágrimas e ranjo os dentes quando sinto raiva.
Está confuso nesse meio de palavras? É assim que está a minha vida.


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