Válvula de escape

By Jully Andrade - 21:43


Eu devia me acostumar com os altos e baixos da vida, mas anda tudo tão baixo que minha mente passa 24 horas por dia tentando montar o mesmo quebra-cabeça.

Estávamos falando de válvula de escape essa semana, cada um tem sua bifurcação, sua saída. Essa conversa, como muitas outras, me fez pensar. Desde então eu criei uma lista mental de atividades executadas por mim, todas as vezes que preciso fugir do tal quebra cabeça: músicas favoritas no volume mais alto (check), distúrbios alimentares (check), textos e frases rabiscados na agenda (check), leitura de trechos dos melhores livros do mundo (check), cigarros (check) e cortes no antebraço (check).

Nenhum declínio é bonito de se observar, nenhuma bifurcação apaga a memória. Sim, eu escondo coisas do mundo, das pessoas e de mim. Eu sorrio o tempo todo porque isso me trás segurança, eu analiso situações porque gosto de tudo sob controle, eu fumo porque me faz esquecer a raiva e me corto porque ameniza a dor.

O mundo é feio. Sim, ele é, mas eu não quero ser também.

E então eu tento voltar a antigas bifurcações, mas a escrita de textos, músicas altas, leitura de livros não suprem a dor como os cortes suprem. Decepção, frustração, lágrimas, sangue, alívio e marcas. Esse é o meu declínio, e hoje, só hoje, eu quero me afundar.

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